Epidemia de coronavírus pode trazer perdas de até US$ 30 milhões para a economia do ES

Estimativa é da Câmara de Comércio Brasil-China e é referente somente ao primeiro semestre deste ano, nos segmentos de granito, café e pimenta-do-reino

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Foto: TYRONE SIU

A epidemia de coronavírus na China está afetando não apenas a saúde, mas também a economia no mundo inteiro. A previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro já caiu de 2,5% para 2%. No Espírito Santo, a Câmara de Comércio Brasil-China no Estado estima perdas entre US$ 25 e US$ 30 milhões  no primeiro semestre deste ano, somente nos segmentos de granito, café e pimenta-do-reino.

O prejuízo mais imediato será com o adiamento de uma feira de granito que seria realizada na China em março. “Ela foi transferida para junho. Então, na minha avaliação, [o setor de mármore e granito] seria hoje o segmento que mais sofreria com esse problema”, afirmou o presidente da Câmara de Comércio Brasil-China no Espírito Santo, Carlos Eiras.

O presidente da Câmara de Comércio disse ainda que os segmentos de celulose e metais também estão sendo bastante afetados. A previsão para o PIB chinês já tenha caído de 6,5% para 6%, o que derrubou de 2,5% para 2% a previsão para o PIB brasileiro.

“Se você considerar esses quatro, cinco meses do ano em que o granito seria um dos principais alavancadores de negócios para o Espírito Santo, eu arriscaria dizer que nós estamos falando em torno de US$ 25 a US$ 30 milhões nesses primeiros meses. Mas, evidentemente, faltam confirmações, faltam dados concretos”, frisou Eiras.

No entanto, ele não acredita que a crise vá se prolongar por muito tempo. “Eu acredito que a China vai resolver esse problema nos próximos 60 dias. É uma estimativa. Consigo mensurar isso em função da feira da Canton Fair, que é a principal feira mundial, multissetorial. Ela é em abril e outubro e, até agora, a China não deu sinais de adiamento dessa feira”, ressaltou Carlos Eiras.

Quem tem sofrido diretamente com as consequências do coronavírus na China é o empresário capixaba Edson Sarcinelli. Ele tem uma empresa de comércio exterior com sede na cidade de Yiwou, no país asiático, e veio ao Brasil para passar o Natal com a família uma semana antes do início da epidemia. A volta para o Oriente, que seria na semana que vem, teve de ser adiada por tempo indeterminado.

“Nossa empresa iria abrir agora e nós tivemos que suspender a abertura dos negócios exatamente por causa desse problema. Até segunda ordem, tudo fica parado. Mesmo que as empresas venham começar a trabalhar novamente, não tem transporte, nada funciona. Os bancos estão fechados. Então os negócios praticamente estão parados na China, e isso é muito ruim para a economia, não só a chinesa, mas também do mundo inteiro”, afirmou Sarcinelli.

A esperança do empresário é que o governo chinês consiga controlar a situação o mais rápido possível. “A gente hoje tem cargas paradas nos nossos depósitos lá e não podemos embarcar. Assim como outras empresas estão na mesma situação. Então vai depender de quanto tempo o governo chinês vai levar para poder solucionar esse problema com vacinas, com medicamentos, alguma coisa que possa voltar à rotina normal da China”, afirmou.

Infectados

Até o momento, a China contabiliza mais de 24 mil infectados pelo coronavírus, com 490 mortes. Além disso, outras 226 pessoas foram contaminadas fora da China, em 27 países. A OMS decretou estado de emergência global no dia 30 de janeiro.

No Brasil, 11 pacientes seguem monitorados por suspeita da doença. Nesta quarta-feira (05), duas aeronaves da FAB foram para a China buscar 34 pessoas, entre brasileiros e parentes.

Eles, no entanto, não possuem os sintomas da doença. Mesmo assim, vão chegar ao Brasil no próximo sábado, para um período de quarentena de 18 dias na cidade de Anápolis, em Goiás.

Folha Vitória

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