Capixaba é medalhista em Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica

Gabriel Gandra, de 18 anos, aluno do curso de Eletrotécnica do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), conquistou a medalha de prata no evento que aconteceu no Paraguai

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Foto: André Rodrigues/G1

O estudante do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), Gabriel Gandra, de 18 anos, conquistou uma medalha de prata na 10ª Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica (OLAA), realizada em Ayolas, no Paraguai, na última semana. Ele é aluno do curso de Eletrotécnica e desbancou 100 mil concorrentes para alcançar a façanha.

Com o resultado conseguido na disputa, Gabriel fez história por ser o único participante brasileiro no evento que estuda em uma instituição de ensino público. E segundo o capixaba, o interesse pela área surgiu quando ainda era criança.

“O primeiro contato que tive com astronomia foi quando eu ainda era pequeno, quando meu pai Paulo me presenteou com um livro que continha figuras de astronautas, telescópio, foguetes e eu já achava isso tudo muito fantástico. Porém, nunca tinha pegado para estudar a parte científica. Os estudos sobre isso começaram no início do ensino médio, que foi quando me aprofundei no tema”, declarou.

Essa não foi a primeira conquista de Gabriel, que acumula medalhas nas edições de 2016 e 2017 da Olimpíada Brasileira de Matemática, além de já ter sido medalhista na Olimpíada Brasileira de Astronomia, nas provas destinadas aos alunos do ensino médio.

Apesar do histórico, o estudante contou que ficou surpreso com o desempenho alcançado na última edição latino-americana.

“No ano passado eu bati na trave e não consegui ser convocado para a equipe. Dessa vez eu me preparei bastante, estudei, pesquisei, venci as etapas necessárias e fico muito feliz com o reconhecimento. Só não consegui o ouro porque em uma prova não fui tão bem, porém, nas outras me comportei como esperava. Mas foi uma surpresa ótima eu ter medalhado”, afirmou.

Preparação

Depois de selecionado para a seleção brasileira, Gabriel participou de treinamentos intensivos, com astrônomos e especialistas, em Vinhedo, São Paulo.

O capixaba integrou grupos de estudos, participou de oficinas de atividades e observação do céu durante a noite, com e sem instrumentos, além de ter feito provas simuladas e construção e lançamentos de foguetes feitos com garrafas PET.

Gabriel também pôde se preparar com o auxílio do Planetário Digital Móvel da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica para estudar o céu por meio de projeções. Ainda aprendeu a montar e a manusear dois diferentes tipos de telescópios.

“Para chegar até o evento precisei passar por etapas difíceis até a convocação. Depois, já na equipe, passei por um processo de evolução até a data da olimpíada. Foi algo que exigiu bastante da minha força de vontade e horas de estudos dedicadas. Mas gosto de estudar, tenho prazer em pesquisar, então, isso não é um problema para mim”, pontuou.

Nasa é o grande sonho

Gabriel conclui o ensino médio no fim deste ano e é um entre os 6,7 milhões de estudantes que tentarão vaga em uma universidade no próximo ano.

Ele ainda não está certo sobre qual engenharia quer cursar, está em dúvida entre a Elétrica, a Aeroespacial ou a Aeronáutica. Entretando, o grande foco do capixaba é a Agência Espacial Americana (Nasa).

“Seria uma coisa muito legal trabalhar na Nasa. É um grande sonho. Mas também tenho interesse na Agência Espacial Europeia e em empresas privadas de pesquisas, como a SpaceX, que vem ficando muito famosa ultimamente. Me inspiro no Marcos Pontes, que foi um brasileiro que foi para o espaço”, frisou.
Orgulho da família

A dona de casa Ieda Alvarenga, de 50 anos, que é mãe de Gabriel, não fez nenhum esforço para esconder o orgulho pela conquista tão memorável do filho.

Ao lado do esposo Paulo Gandra, Ieda conta que criou Gabriel com muita dificuldade. Contudo, sempre deixou claro que a única obrigação do era com o estudo.

“Minha vida inteira foi dedicada aos filhos, para que eles chegassem ao topo através da educação. Sou natural de Minas Gerais e viemos morar no Espírito Santo por causa de trabalho. Quando chegamos aqui precisei parar de trabalhar para cuidar do Gabriel e do Rafael, que é meu filho caçula. Mas não me arrependo de nada. Tenho muito orgulho deles”, afirmou Ieda.

G1 ES

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