Parte das empresas do setor moveleiro volta a realizar contratações em Linhares

Em meio à crise do coronavírus, algumas companhias registraram um inesperado aumento das vendas e precisaram buscar mão de obra

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Foto: Divulgação

“Um acontecimento que ninguém esperava”. É desta maneira que o presidente do Sindicato das Indústrias da Madeira e do Mobiliário de Linhares e Região Norte do ES (Sindimol), Ademilse Guidini, define o aumento das vendas registrado por parte das empresas do setor, entre maio e junho. O movimento, segundo Guidini, acabou fazendo com que tais empresas voltassem a realizar contratações em plena crise do coronavírus.

“No final do mês de maio e na primeira quinzena de junho, percebemos uma bolha, um au- mento nas vendas, mas ainda não dá para saber se será sustentável. Com relação aos empregos, tivemos algumas baixas nas empresas, o que era inevitável diante do cenário, mas isso foi feito com muita responsabilidade, inclusive aprovei- tando as oportunidades de redução da jornada que foram oferecidas pelo Governo Federal. Contudo, neste mês, algumas empresas voltaram a fazer contratações”, reitera Guidini.

Empresário do setor, Paulo Joaquim do Nasci mento registrou um aumento da demanda, no período citado, e atribui o movimento à injeção dos recursos provenientes do auxílio emergencial. “De fato, fizemos algumas contratações, mas estamos indo com cautela, pois não sabemos até quando esse movimento deve continuar”, afirma.

Observação semelhante é feita pelo empresário Nicholas Pessotti, que na segunda-feira (22) recebeu oito novos colaboradores em sua fábrica e deve contratar outros 10, que estão em processo seletivo. “Nós nos preparamos para um momento de baixas vendas, mas como ocorreu esse movimento inesperado, as empresas passaram a reavaliar as estratégias. Ficamos até preocupados, pois estamos realmente contratando pessoas, mas qual segurança temos? Nenhuma, pois pode ser que daqui a uma semana ou 15 dias seja necessário interromper as atividades novamente. Mesmo assim, estamos aproveitando o momento”, explica.

Conforme Guidini, nenhuma empresa filiada ao Sindimol chegou a encerrar as atividades, por conta da atual crise, mas ainda é cedo para fa lar em retomada dos resultados. “Não sabemos ainda nem quanto tempo durará esse processo de quarentena, de abertura e fechamento de lojas, de medidas de prevenção. Nosso otimismo nos leva a acreditar que em mais ou menos 90 dias possamos começar a enxergar um horizonte de melhorias”, prevê.

Mesmo assim, é inegável que a crise impactou e vem impactando as perspectivas do setor, que projetava uma recuperação mais robusta neste ano. Para Guidini, o atual cenário é ainda mais crítico, na comparação com as dificuldades enfrentadas em 2015.

“A crise do coronavírus é mundial. Em 2015, era uma crise de merca- do. Hoje é de saúde, que afetou tanto o mercado quanto a sociedade. Mas os ajustes, os conhecimentos adquiridos e as medidas tomadas desde 2015 para retomarmos nosso crescimento com certeza foram fundamentais para enfrentarmos esse novo momento”, afirma o presidente do Sindimol. Dentre estes ensinamentos e novas estratégias está o fortalecimento da parceria entre as empresas e os varejistas que atuam nas vendas pela internet.

Correio do Estado

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