Comissão de Agricultura ouve demandas dos produtores de conilon

Um dos principais pontos é o aumento no valor de venda da saca deste tipo de café

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Foto: Yzamara Belo

Produtores de café conilon apresentaram as principais demandas do setor na reunião da Comissão de Agricultura, realizada no Plenário Dirceu Cardoso. O debate foi solicitado pelo Movimento dos Cafeicultores Independentes. Entre os principais pontos levantados está o preço mínimo do café.

Os produtores vinham pedindo o aumento do preço da saca e a diferenciação do preço do conilon produzido em Rondônia que, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), passou por modernização com aumento da produtividade e diminuição do custo de produção.

No último dia 4, o governo federal aumentou o preço mínimo de R$ 210,13 para R$ 242,31. O aumento é válido para Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo. Rondônia, pela disparidade do sistema produtivo, continuou com o preço mínimo de R$ 210,13.

O coordenador do Movimento dos Cafeicultores Independentes, Fabiano Abreu, explicou que o reajuste foi um avanço, mas que ainda não é suficiente. “O preço para venda da saca é menor do que gastamos para produzir. A cafeicultura é uma atividade rural que distribui renda em todos os ciclos de produção, e não tem o devido valor na hora de vender o café. O aumento do preço mínimo para R$ 242,31 já foi um avanço, mas ainda é pouco porque gastamos uma média de R$ 279,00 para produzirmos uma saca”, revelou.

O superintendente da Conab Brício Alves dos Santos Júnior explicou que a companhia fez os estudos nas regiões produtoras do estado e disponibilizou tecnicamente os dados e o levantamento de campo para viabilizar a atualização do preço mínimo do café, mas que a avaliação e o reajuste são feitos pelo Ministério da Agricultura.

A renegociação de dívidas dos produtores rurais foi outro ponto cobrado durante a reunião. Os cafeicultores apontam a longa estiagem pela qual o estado passou de 2015 a 2017 e a crise econômica como fatores que levaram os agricultores a perderem a capacidade de quitarem os financiamentos. Eles pedem flexibilização das diretrizes junto às instituições financeiras. “O produtor não consegue renegociar suas dívidas, e quando consegue, tem dificuldade de fazer novos financiamentos”, afirmou Fabiano Abreu.

Por fim, a formação de estoque regulado pelo governo federal também foi questionado. No fim de 2019, o governo anunciou a decisão de não manter estoques públicos de grãos e outros ativos agrícolas, além da venda de 27 das 92 unidades armazenadoras da Conab em todo o Brasil.

O representante da companhia reconheceu a importância de se manter estoques, mas explicou que esta é uma decisão de governo. “O Ministério da Economia já anunciou que não quer saber de estoque. O estoque nos armazéns da Conab no Brasil tem hoje apenas 516 sacas de café arábica. O Espírito Santo não tem nenhuma saca em estoque. Geralmente, os países têm estoque estratégico para os momentos de adversidades. Nossa proposta é sempre ter essa política. Ficamos temerosos porque um país produtor precisa ter estoque para um momento de intempéries ou problemas no mercado. Mas é uma política de governo”, explicou Brício.

A presidente da Comissão de Agricultura, Janete de Sá (PMN), propôs elaborar uma agenda com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, para tratar das questões que afetam o setor agrícola capixaba. “Temos que levar essa discussão para Brasília. Vamos trabalhar incansavelmente para construir esse debate envolvendo a bancada federal, o governo do Estado, o setor organizado da agricultura capixaba e a ministra. Para dessa forma alcançarmos as soluções para nossos produtores”, concluiu a deputada.

O Espírito Santo produz quase 80% do conilon do País. Na safra passada, foram colhidas mais de nove milhões de sacas. O estado é responsável por até 20% da produção do café conilon do mundo. O café robusta, como também é chamado o conilon, é responsável por 35% do PIB agrícola do estado. Atualmente, existem 283 mil hectares plantados de conilon no Espírito Santo. São 40 mil propriedades rurais em 63 municípios, com 78 mil famílias produtoras, gerando 250 mil empregos diretos e indiretos. Os dados são do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper).

Redação Web Ales

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